Ex-vice-governador afirma que força eleitoral de Lula no RN pode garantir até 40% dos votos ao candidato governista
Por O Correio de Hoje
O ex-vice-governador do Rio Grande do Norte Fábio Dantas afirmou que é um erro subestimar a candidatura do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier (PT), na disputa pelo Governo do Estado em 2026. Em entrevista à rádio 98 FM, Fábio apresentou uma análise baseada em números das últimas eleições e no desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Estado para sustentar que o candidato governista pode largar com uma base suficiente para levá-lo ao segundo turno e até à vitória.
Fábio destacou que, no primeiro turno de 2022, Lula obteve mais de 1,3 milhão de votos no Rio Grande do Norte, enquanto a governadora Fátima Bezerra (PT) teve mais de 1 milhão. Durante a campanha, Fátima atrelou fortemente sua imagem à de Lula, o que tracionou seu desempenho. Com a votação, a governadora foi reeleita no 1º turno, apenas de o seu governo ostentar baixos índices de aprovação.
Mesmo com uma diferença entre os eleitorados — ele lembrou que quase 200 mil eleitores de Lula não votaram em Fátima —, o ex-vice-governador considera improvável uma perda expressiva de votos na transferência para Cadu Xavier, caso Lula tenha um desempenho semelhante na corrida pela reeleição em 2026. Assim como Fátima, o secretário de Fazenda tem buscado atrelar sua imagem à do presidente, sendo chamado por aliados de “Cadu de Lula”.
Na projeção que traça, mesmo que haja uma redução significativa desse eleitorado, o patamar ainda seria elevado. “É muito difícil que Cadu, sendo o candidato de Lula, perca tanto voto assim para não ter 38% a 40% dos votos”, afirmou. A partir dessa conta, ele conclui que o desempenho mínimo esperado do candidato petista já o colocaria em posição altamente competitiva.
Fábio vai além ao afirmar que, mesmo com perdas adicionais, a candidatura governista ainda teria força suficiente para atingir uma votação expressiva. “Cadu precisa ser muito ruim para não ter 800 mil votos”, declarou, em referência ao potencial de transferência eleitoral do campo lulista no Estado.
Com base nesse cenário, ele avalia que o candidato do PT entra na disputa com reais chances de vitória. “Cadu tem uma grande chance de ser o governador do Estado porque o candidato é o Lula”, disse, reforçando que o peso político do presidente tende a ser decisivo no pleito.
Ele minimiza o fato de Cadu ter baixos índices em pesquisas de intenção de votos. Ele lembrou que, em 2014, Robinson Faria iniciou a campanha com menos de 10% nas pesquisas e acabou sendo o governador eleito naquele ano.
Disputa em três polos
Apesar de destacar o favoritismo potencial de Cadu Xavier, Fábio Dantas pondera que a eleição permanece aberta e competitiva, com pelo menos três forças relevantes no tabuleiro: o campo governista, a oposição tradicional e uma terceira via representada por novos atores políticos.
No caso do ex-prefeito de Natal Álvaro Dias, que é pré-candidato com apoio do PL, ele avalia que há uma base consolidada a partir da eleição de 2022. Ele lembra que a soma dos votos da oposição naquele pleito alcançou cerca de 41% do eleitorado, percentual que tende a se reorganizar em torno de uma candidatura única nesse campo.
Já em relação ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União), Fábio considera que sua viabilidade dependerá da capacidade de avançar sobre o eleitorado que hoje se identifica com Lula. “Resta saber quantos votos Allyson vai conseguir tirar do candidato de Lula para poder ir para o segundo turno”, observou.
Na avaliação dele, o voto associado a Álvaro estaria mais consolidado, enquanto o desempenho de Allyson dependerá de deslocamentos eleitorais mais complexos.
Fábio também criticou o estágio atual da pré-campanha, apontando ausência de propostas concretas por parte dos principais nomes colocados. “Eu não vi nenhum projeto dos três candidatos. Só vi a parte política deles, a eleitoral”, afirmou. Segundo ele, a escolha do eleitor deveria se basear em programas de governo e não apenas em articulações políticas ou força eleitoral.
O ex-vice-governador fez ainda um alerta contra análises precipitadas baseadas em pesquisas iniciais ou no desempenho momentâneo dos candidatos. “Isso não quer dizer nada. As questões políticas de hoje não querem dizer o de amanhã”, disse, ao lembrar que o histórico eleitoral mostra mudanças significativas ao longo das campanhas.
Ele também comentou o impacto de denúncias e fatos políticos no cenário eleitoral, defendendo prudência na interpretação desses episódios. “Denúncia a gente só sabe como começa, não sabe como termina”, afirmou.
Diagnóstico do Estado
Durante a entrevista, Fábio Dantas também abordou a situação administrativa do Rio Grande do Norte e defendeu que o Estado enfrenta problemas estruturais acumulados ao longo de vários governos.
Para ele, qualquer gestor eleito terá que adotar medidas difíceis para reorganizar as finanças públicas. “Nós vivemos hoje um Estado que tem uma doença grave. Ninguém trata um câncer com dipirona”, afirmou.
O ex-vice-governador criticou ainda a falta de foco em eficiência na gestão pública. “Eu não vejo nenhum governante defender a eficiência”, disse.
Ao mesmo tempo, declarou que espera que a atual governadora consiga cumprir as promessas feitas durante a campanha. “Essa maioria que escolheu Fátima não pode ser decepcionada.”
Nominata mira eleger até 9 deputados
Fábio Dantas afirmou que atua diretamente na articulação de uma nominata competitiva para as eleições proporcionais, com potencial para eleger entre oito e nove deputados estaduais. Segundo ele, o grupo trabalha com uma meta clara de desempenho mínimo. Ele disse que o grupo pode desembarcar no Republicanos, mas outras legendas são consideradas, como o Podemos.
“A prioridade é o grupo. Assina a ficha e depois a gente bota o carimbo do partido”, afirmou o ex-vice-governador, que é marido da deputada Cristiane Dantas (atualmente no Solidariedade).
Segundo ele, a montagem da nominata envolve reunir nomes com diferentes perfis políticos, incluindo lideranças que estiveram em campos opostos na última eleição. A ideia é formar um grupo de centro, permitindo liberdade de posicionamento na disputa majoritária.
Ele explicou ainda que a composição leva em conta a complexidade do sistema proporcional, no qual o desempenho coletivo da chapa é determinante para o número de eleitos. “A eleição proporcional é diferente da majoritária. Às vezes você tem mais votos e pode perder a eleição, ou ter menos votos e vencer.”
Fábio acrescentou que o grupo já ultrapassou 25 pré-candidatos e passa agora por ajustes finais, incluindo possíveis migrações para chapas de deputado federal e outras legendas.



